Blog da Aldeia

As Avaliações na Aldeia

por Suporte Traço - Publicado em 19 de setembro de 2019

Quando o assunto é “avaliação”, a memória traz de volta as palavras prova, exame, verificação, aferição de conhecimento. Esta associação ainda tão presente nas escolas é resultado de uma concepção pedagógica que ainda domina muitas instituições, onde a avaliação afere a quantidade de informações que o aluno é capaz de armazenar. Um número (nota) não nos permite interpretar e compreender o intricado e profundo processo de aprendizagem.

Entendemos a escola como um local privilegiado para o exercício da vida de forma autônoma, amorosa e sustentável. A avaliação é mais um instrumento desse processo dinâmico e complexo da formação humana. Segue um compasso na contramão da realização de testes e notas.

Na Aldeia vinculamos esses momentos com a materialidade do mundo, em sintonia com a comunidade e com o tempo em que vivemos. A “Atividade Avaliativa” é mais uma das possibilidades que a criança tem de refletir, fazer relações entre dados, informações e ideias; desafiar o senso comum, aprender a pesquisar, trocar ideias, ou seja, exercitar o ‘aprender a aprender’. Uma avaliação pode ocorrer dentro de situações interativas, discussão com colegas, com os professores, com os familiares. São momentos onde a criança demonstra seu engajamento, seu desejo de descobrir, de conhecer em movimentos sucessivos e complexos, buscando em diferentes fontes – livros, revistas, jornais, internet, pessoas – aprofundar-se cada vez mais no assunto proposto.

A criança é convidada a ação, a atuar de forma dinâmica e participativa   para o seu desenvolvimento e aprendizagem.

Para o professor também, dentro de uma concepção pedagógica contemporânea, a avaliação não é uma práxis estanque, desconectada do ser integral que é a criança e de como ela aprende. É um diálogo intelectual e cheio de afetos, onde, para compreender o pensamento do aluno, é preciso aproximar-se dele, conhecer a sua individualidade, sua história enquanto sujeito no mundo. É um encadeamento de apreciações de diferentes circunstâncias, onde o professor considera, analisa de forma ampla, em experiências múltiplas e variadas, cada progresso ou crescimento da criança. É um compromisso que nos exige aprofundar, de forma amorosa e comprometida, o olhar sobre as singularidades do ato de aprender em um sistema que se retroalimenta; que admite recomeços, replanejamentos e redefinições. É um ponto de partida para novas interrogações e mais desafios.