Nosso Método

Quais nossos valores e por quê?

Sofremos de ausência de percepção de realidade! E o que nossa comunidade – atuando como importante polo de difusão cultural, de análise e reflexão – pode contribuir?

Como nossos pensamentos e ações se convergem e se transformam nesse encontro de realidades?

De início, precisamos evidenciar – de forma inequívoca – nossos valores e premissas, já que são a maneira como concebemos a sociedade e as relações sociais e, portanto, constituem as ferramentas que nos permitem construir nossa Aldeia. Nosso fazer é permeado por 5 valores: criatividade, protagonismo, diversidade, empatia e trabalho em equipe.

A diversidade é valor importante em nossa comunidade escolar. Primeiramente, porque vivemos no Brasil; coabitamos neste país diverso, com extensão territorial de 8.516.000 km² e 208 milhões de habitantes. E mais do que isso: somos uma nação cheia de cicatrizes, feridas abertas, até; uma sociedade que além de diversa e rica, ainda pratica barbárie justamente por ainda não ter aprendido a respeitar as diferenças. Nossa riqueza é nossa dor e nossa delícia.

Construímos uma sociedade inteira, sobre massacres, escravidão e extermínio de comunidades nativas!

Precisamos incorporar mais que depressa a vanguarda de um pensamento progressista e empático acerca da diversidade bio-sócio-cultural do Brasil.

Queremos protagonistas criativos que construam a partir de uma realidade social presente e urgente. Seres humanos conectados com a imprevisibilidade de novos saberes, novas técnicas, novas conjunturas e elaborações, novas soluções para o planeta! Com coragem e inovação!

Almejamos formar mentes e corações que dão conta da prática, dos fatos, da concretude da vida e que tenham a ousadia de pensar a comunidade que habitam, como uma crítica imanente do presente. O saber precisa se tornar cada vez mais coletivo, situado e encarnado.

Indispensável é que os centros encarregados de educar crianças, possibilitem narrativas saudáveis, iluminadas por um pensamento sistêmico, dialógico, direto, maduro!

Como educadoras, nosso objetivo é formamos seres humanos atentos às tramas.

E o futuro?

O futuro existe a partir dos acontecimentos presentes. Nas conjunturas e demandas dos dias. Na internet das coisas, nas cidades inteligentes, na luminosidade azul do cérebro em redes. Acontecimentos sem volta. Desumano, bruto, incerto e, também, nosso. E quanto à escola? É um lugar de futuro? Em que parte do aprendizado reside garantias? Em qual teoria? Em que recreio brinca o amanhã?

Está em conhecimentos fragmentados, na didatização e memorização mecânica dos conteúdos curriculares, no abandono da alegria? A educação anda assim… Ainda e muito disfarçada nos antigo moldes. Oculta na vontade e saudosismo de práticas que já não funcionam para o exercício do que há de vir.

O grande desafio da Educação em nosso tempo é coexistir entre paradoxos, é honrar nossas tradições sem fixar-nos na obsolescência. Aprender desde as experiências, porém sem perder a autoria, sem deixar-se esmagar por elas. Antes de tudo, a tradição deve ser honrada na propositura de novos caminhos, legando ao sujeito a possibilidade de ser um protagonista da contemporaneidade.

Houve um estouro nas informações. Os professores que sabiam tudo se desfiguraram como material ferrugento, atrofiado e envelhecido. O que ainda é possível ensinar? Como? Onde? De uma coisa sabemos: O futuro é agora, na escola!

Surge então, das partes criativas do fazer educação, uma ALDEIA em poesia, em versos. Uma escola que se propõe à reformulação de bitolas antigas e algumas desconstruções, que nasce do espiral dinâmico das insatisfações. A reação contra o insulto, contra práticas do que já não é e do que já não cabe.

Como é a nossa Aldeia?

A edificação de um lugar de educação, de criação, de invenção, de surpresas, de alegrias, de belezas e protagonismo, em diversas formas para a contemporânea expressão do mundo. Um lugar que faz ver com olhos livres, que faz ser com o corpo inteiro. Um sopro que bate no cilindro dos moinhos movimentados por novos ares, que não perde de vista o ensino da geografia, da história, das linguagens e todas as multiciências humanas.

Que abusa da arte, que se serve da gratidão, da amizade, do afeto, da alteridade e do amor. Que faz vibrar a energia íntima de cada ser. Que floresce junto à natureza e que vive a saudade de danças e cantos de culturas antepassadas. Que transcende! Que exercita a equação “eu parte do Cosmos” e o axioma “Cosmos parte do eu”. Que se comunica com o solo, com os bons sentimentos, com a magia e com as descobertas. Que é guardiã dos elementos vibrantes da estética do bem viver.

Em muitas manhãs e tardes de exercícios de potencialidades. Assim é a nossa Aldeia.