Blog da Aldeia

Cultores, Cantares e Festejos Populares

por Suporte Traço - Publicado em 18 de junho de 2019

Os Avessos do Avesso – Tropicália

Nosso primeiro Festival “Cultores, Cantares e Festejos Populares”, nos propôs uma refinada reflexão. Parece ser consensual que atravessamos uma crise. Não só econômica ou social. É algo bem maior, trata-se de uma crise civilizatória. Uma crise ética que, sobre tudo, impõe à sociedade conceitos e valores distorcidos, arruinados, escangalhados. No entanto, este momento de recessão e desequilíbrios tanto pode significar a decadência, o declínio de um povo ou um momento propício para a renovação, para a reinvenção da vida e de nós mesmos. A memória é uma das linhas de força da modernidade, por meio dela podemos nos fazer mais fortes e conscientes.

Nascido sob o regime militar, a Tropicália, movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência de correntes artísticas da vanguarda, misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. O Tropicalismo tinha objetivos políticos e sociais, e fez da experiência estética um instrumento social revolucionário para além da promoção de mudanças políticas. O movimento marcou pela irreverência e pela ironia de suas obras, e provocou transformações não só na música, mas também na moral e no comportamento da sociedade brasileira.

Na tentativa de abranger a capacidade dialógica e transformadora dos movimentos culturais e de suas diferentes formas de expressão, no mês de Junho, desenvolvemos o Projeto: Cultores, Cantares e Festejos Populares – Os Avessos do Avesso: Tropicália. Circundando pelos versos e reversos do tema, compreendemo-nos enquanto seres que preenchem o mundo de sentido, mundo social, interativo e cultural que nos transforma e que também transformamos.

Trocas e transfigurações que estão ligados à história do Brasil e dos brasileiros. Enquanto seres desejantes de conhecimento, de arte, de cultura, nós, professores e alunos, estamos em constante busca. Explorações para superação de nós mesmos, em nossas dúvidas, inquietações e desejos, nos fazendo cada vez mais zelosos da nossa brasilidade. Ao nos aproximarmos das concepções da Tropicália, em intimidade com o movimento, fomos provocados, entramos em contato com as subjetividades e singularidades desse tempo/espaço. Assim, sob a luz das linhas e entrelinhas do Tropicalismo, de suas cores, sons e energia, temos mais pujança, ardor e consciência para atuarmos na construção ou reinvenção de um Brasil melhor e mais bonito.

A energia tropicalista reviveu em nossa Aldeia em fachos de reencantamento. Reencantamento que não é uma volta a um passado, mas à intensidade daquilo que o presente pode nos oferecer como possibilidade de beleza.

Saber do passado, conhecer uma existência transformadora, rica e colorida, refletir sobre como os brasileiros conquistaram sua identidade, como engrandeceram sua cultura, nos alimenta e alarga em proporções significativas, existenciais e humanas: cantar, dançar, brincar e saborear o bom de morar em um país Tropical!

Apresentações

As apresentações se iniciaram às 19h00. Com desfile do bloco SMETAK TAK TUM. O professor Danilo Rosolem e os Aldeões brincantes MUTATIS MUTANDIS inauguraram as festividades ao som de “alegria, alegria” e “tropicália”, ambas do poeta tropicalista Caetano Veloso.

A turminha animada do Infantil 2 Anos, das professoras Kamila e Thaís deram segmento ao forró tropicália. Com figurino tradicional de quadrilha as crianças e os pais subiram juntos ao palco. A coreografia ficou por conta da professora Mauren Vasconcelos e deram um show à parte. Esbanjando alegria facilmente notada no rosto dos pequenos.

Em seguida tivemos as crianças do Infantil 3 Anos, com as professoras Maria Antonieta e Lara. Ao som de Pot-purri de músicas instrumentais tropicalistas, os pequenos fizeram seu caminho entre sorrisos e aplausos até o palco. Durante a apresentação contamos com a ilustre presença do Chacrinha.

Depois de muitos risos com a apresentação do Chacrinha, chegou a hora do Domingo no Parque. E a galerinha responsável por esse festejo foi a turminha do Infantil 4 Anos, junto com as professoras Thaís e Francielly e sob supervisão da coreógrafa Mauren Vasconcelos. As crianças se apresentaram ao som dos clássicos “Leãozinho”, “Roda Via”, “Domingo no Parque” e “A Banda”. Figurinos estilo anos 70, essa galera arrasou. É muita musicalidade reunida em um só palco!

E teve casamento! A turma Infantil 5 Anos, guiadas pela professora Neurides e também coreografada pela professora Mauren Vasconcelos, participou de um lindo festejo simbolizando a união matrimonial sob tema tropicália. Os figurinos estavam um espetáculo, com adereços de Carmem Miranda na cabeça e buquê de noiva. Dançaram “Maria Carnaval e Cinzas” e “Ponteio”.

Mas o que seria de uma festa tropicália sem Jorge Ben e a clássica “País tropical”? E na nossa Aldeia quem celebrou essa canção foi a turma do 1° ano da professora Paula. Os figurinos arrancaram suspiros da plateia, calças boca de sino, coletes e faixa na cabeça. Sob regência da professora Cida Veiga a coreografia nos lembrou o quão lindo é o país em que vivemos.

Tom Zé também se viu presente quando o 2° Ano do Ensino Fundamental e as professoras Maria Beatriz e Andreia festejaram “Menina, Amanhã de Manhã”. Figurino estilo anos 60 as meninas se apresentaram usando vestido colegial e os meninos bermuda, camiseta branca e suspensório.

E quando os brincantes do 3° ano “A” e a professora Danúbia subiram para representar “O batuque dos Nagôs” com a música “Bat Macumba” d’Os Mutantes, o palco explodiu em sonoridade. Foi contagiante. Tudo guiado pela coreógrafa e professora Cida Veiga. O figurino da turma ficou por conta dos abadás de capoeira.

Recuperando o fôlego de tanta emoção, chega a hora da turma do 4° ano das professoras Valquíria e Ana Paula. Subiram no palco e deram um show ao apresentar os “Herdeiros da Tropicália” ao som de “Divino Maravilhoso” , Gal Costa. Eles cantaram, dançaram e emocionaram a plateia. Em seus figurinos não puderam faltar muito brilho, roupas coladas e perucas Black Power.

No ritmo da Resistência a galera do 5° ano da professora Bárbara subiu ao palco com muita atitude, a cada trecho de música cantada, a cada frase de poema declamado, uma epifania deliciosa! A música ficou por conta de Pot-pourri das músicas “Panis et circenses”, Mutantes e “Ando meio desligado”, Mutantes.

O Encerramento contou com textos compostos de palavras, verbos e melodias dos tropicalistas Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, Gal Costa, Torquato Neto, Tom Zé, Jorge Mautner, Jorge Ben,  Rogério Duprat e outros aforismos de autoria própria.

Fotos

Todos os registros desse evento você encontra no Flickr da Escola Aldeia, acesse: Flickr

Depoimentos

Muitas mães compartilharam com a gente esse momento de emoção nas redes sociais, dá uma olhada nos depoimentos que recebemos. Somos gratos por cada palavra de carinho.

Cobertura do Evento

Ficha Técnica

Roteiro e direção artística: Cristina Moraes e Carolina Parrode

Todas as músicas do festival você encontra na playlist da Escola Aldeia no Spotify, acesse: Spotify: “Cultores, Cantares e Festejos Populares”

Música (regência, adaptação e execução): Professores Mauren Vasconcelos, Maria Antônia, Danilo Rosolem  e Banda SomBrás.

Coreografias: Professora Cida Consorte e Mauren Vasconcelos.

Produção: Coordenadora Josy Alves, Coordenadora Bárbara Miguel, Gerente Administrativa Ana Maria, Sr. Lázaro, Profº Alexandre, Profº Murilo e toda a equipe de professores e auxiliares da Aldeia.

Equipe Diretiva: Carolina Parrode, Cristina Moraes e Denise Evangelista.